terça-feira, 7 de abril de 2015

Labirinto: A entrada é a mesma que a saída

Há quanto tempo eu durmo e sinto que mundo está acordado? Penso o que mudou em mim, se já é passado. A mudança é contínua. Pode ser causa da rotina. Era pra ser plena a essência e acaba como incenso. Acende, perfuma, apaga e fica por mais um pequeno instante no ar. Nesse momento é dúvida incessante. Onde eu fui parar? Tão longe que nem dá pra enxergar? Ainda hei de resgatar?

As ideias se transformaram em lembranças. E elas nem mesmo se tornaram reais. Se é que existe caminho, estou sempre no desvio. Sobra tempo para o desnecessário. Pouco para os momentos. Aqueles que dão sentido a tudo. Faz ficar mudo, mesmo querendo gritar.

Há quanto me mantenho hibernado, buscando cada vez mais fardo que nem quero carregar?
Pode ser apenas lei de sobrevivência, e algumas vezes confunde com experiência. É a essência que doa seu lugar. Até porque não há como encaixar. Só tem um espaço para um só pilar.

Sobreviver até o fim cheio de conta pra pagar. Ou pagar para viver cheio de coisa pra contar.
É tão estranho o caminho e o abismo andarem lado a lado. E nem poder jogar um dado pra saber por onde andar. Por acaso, o acaso não existe. É só uma máscara que queremos colocar, para enfeitar uma série de escolhas, que no fundo nem fomos obrigados a tomar.

Se enfiar num labirinto, fingindo que é infinito só pra ninguém nos achar. Mesmo sabendo onde fica a saída, um lado sempre quer ficar. É mais confortável e mais aconchegante. Melhor que o desconhecido e melhor que ter que se adaptar. Matar aos poucos a vontade de sair parece mais fácil que encarar. A recompensa desse lado é menor, mas aqui já se sabe jogar.

- Alô? Tem algúem aí fora?
- Eu só queria conversar!
- A queda pro seu lado é alta? Será que dá pra pular?
- Ou é melhor ficar aqui? É melhor não arriscar?
- Me arruma uma escada? Ou vou ter que me virar?
- Acho melhor a gente trocar. Você me diz o que tem aí, que te conto do lado de cá.
- Preciso saber se posso ir. Não aguento mais ficar!
- Estou subindo. Resolvi tentar!
- Mas... mas os dois lados são iguais.
- Agora que percebi; eu é que tenho que mudar!

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quinta-feira, 12 de março de 2015

Breve suspiro

Uma gota cai no chão / O vento corta a janela / A respiração se entrega /
Um forte suspiro / Um tempo pra pensar / Entrega e delírio

Nunca houve um caminho, apesar de saber o destino.

Aperta tanto quanto espreme!

Mais uma gota cai /Ainda sim não cessa / Falta ar, luz e vela
Tão escuro que nem se enxerga / Não com olhos presos na terra

Ninguém sabe onde pisa antes de se cortar, e nem adianta falar.

Sente, sabe e desiste.

Coragem!
Quem tem sempre insiste:
     - Não há nada melhor que fugir da gaiola e tentar voo livre.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tanto querer

É de tanto querer, que não se consegue
O tempo não ajuda e o azar persegue
Falta algo
Vago sem resposta
Mago eu seria se soubesse o caminho
São tantas estradas para um só destino

Eu já sabia
Sabia que viria assim;
Como um fardo, cada vez mais pesado, ao mesmo passo que suave
Mais leve que qualquer voo de ave

É liberdade e prisão
Choro e sorriso
Covardia e coragem
Inferno e paraíso

Um lado sabe que vai passar, o outro receia que passe
É fase de lua
Queima e arde
Molha e resfria
Pra quê tanta algia?

Seria mais fácil se fosse com amigo
Era só dar conselho, era só dar abrigo
Agora é comigo

Retiro a saudade que disse que tinha de ti agonia
É vida e morte
Azar e sorte
Risos de ironia
Tanta coisa junta que até contagia
Seja angústia, ou seja alegria

É mandar mensagem sem poder endereçar
Parece que é de maldade e que não vai parar
Tá aí o resumo de algo sem rumo
Mas que insisto em saber onde vai dar

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Quem procura

O que se sente no peito
Que é feito o leito,
Um jeito de acariciar

Acalmar as batidas
Respirar a ferida
Ainda mais doída, por ter que parar

É melhor sem ter hora,
Sem demora e deixar demorar

É melhor se for agora,
Fora o vazio que dá

Quem procura nem sempre quer achar,
Às vezes procura, só por procurar

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Pó de vida

Decisões são infinitas
A escolha uma só
Nos resta a vida
Por fim somos pó
Foi tempo que o pensamento reinava
Águas passaram, a sede permanece
Prece, pedido, joelho no chão
Não! As rédias escassas criam atalhos
Trabalhos feitos sob pressão
O que nos resta é vida
O que nos sobra é pó
O que nós temos é morte
E o que desata o nó?
A garganta canta
Tanto quanto aguenta
Às vezes cantando alivia
Ficando calada arrebenta
O que sobra da vida?
Pó?

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Preenche mas esvazia

Tão forte que preenche, ao mesmo passo que esvazia
Enche a mente de ideia e traz consigo agonia
Tanto quanto se espera, se forma a poesia
O tempo que fora inimigo, agora corre com o dia
Transforma um pequeno momento, em fogo que queima e sacia
Vive pra esquecer que a vida não é como se queria
Abraça e olha nos olhos, com olhar de quem quer companhia
Merece muito mais que a oferta e ainda sim se entrega a alegria
Aperta com as mãos seguras, como quem se pudesse, embora nunca iria

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Se escrever vai passar

Relutante. Receoso. Recatado.
Como faço?
Como faço pra saber?
Será que é só digitar? Será que é só escrever?
Será que é só enviar? Será que é só receber?
Onde eu tenho que assinar para começar a viver?

Se escrever vai passar.
E se depois de pronto der vontade de apagar?
Quanto ar vou precisar até parar de respirar?

É pretexto pra aparecer?
Ou é texto pra desatinar?
Entende o que eu quero dizer?
Ou vai pedir pra explicar?

Devagar começa a amanhecer.
Não estou pronto para caminhar.
Divagar sobre o que vai acontecer.
Quanto mais correr, nem pensar.

Quantos sentidos cabem num verso?
Ao menos cinco sentidos o verso terá.
Se for para sentir, que seja real.
Se não faz sentido, jamais sentirá!

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Bússola mais poderosa do Mundo


Você invade a minha morada
E nada posso fazer para me defender
Suas armas são fortes demais
E eu já nem resisto

Me faz esquecer antigas batalhas
As minhas falhas
Me faz querer arrumar as malas
Abram alas que vamos partir

Por um segundo que for
Será o melhor, eu te prometo!

É como descobrir um tesouro
E nem todo ouro do mundo pode pagar
É acordar de manhã sem coberta
É dizer eu te amo sem hora certa

É como querer ir de um continente ao outro
Totalmente novo, sem navegação
Sentindo a bússola mais poderosa do mundo
Dentro do coração

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Homem fez deus à sua imagem e semelhança

E no começo, o homem nada sabia, era a solidão e o homem vivia nas trevas.

Então, o homem aprendeu a fazer o fogo, que trouxe a luz à escuridão das noites. E viu o homem que aquilo era bom. Correu-se assim o primeiro dia.

O homem chegou às margens, e observando àquela grande porção de água, chamou-a de mar, e o chão seguro onde pisava, chamou de terra.

Viu também o homem, que grandes partes se moviam acima de suas cabeças, e chamou àquilo de nuvens, e todo o conjunto de céus. Sentindo sono, pôs-se a deitar, e foi-se embora o segundo dia.

Sentia fome, e vendo tanto verde, esticou as mãos e colheu frutos e os levou à sua boca, e assim, conseguiu saciar a dor no terceiro dia.

Olhou ao céu de manhã, e na ausência de nuvens, enxergou àquilo que chamaria de Sol, e percebeu que de lá vinha a luz. Mais tarde, viu o sol caindo, e subindo outra luz, menor, e chamou-a de lua. Enquanto se alternavam, passou o quarto dia.

Indo além das margens, o homem conheceu outros seres. E no topo das montanhas conheceu outros. Chamou os primeiros de répteis e os outros de aves. E viu o homem que eles também se multiplicavam nas águas e na terra. Assim sumiu o quinto dia.

Encontrou o homem outros animais. E na falta de frutos, caçava-os para se alimentar. Viu também que podia dominar os peixes no mar, as aves nos céus, o gado na terra, e assim entendeu sua inteligência.

Conforme caminhava em sua sanidade, crescia no homem a dúvida. Quanto mais sabia, mais questões apresentava. Criou então artifícios que explicavam o princípio. E por todas as nações, notava-se o uso de tais artifícios.

E no sexto dia, o homem criou Deus à sua imagem e semelhança.

Achando então que tudo havia feito, o homem precisava descansar.
No sétimo dia, o homem descansou, enquanto Deus começava a trabalhar.

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ouro de Tolo

O que é melhor?
Traçar um objetivo, um sonho que for e lutar para um dia realizá-lo?
Ou saber que tem um sonho e que a cada dia a gente está realizando?

Para mim é simples responder.
Ora, se a vida é uma viagem, é fato que às vezes acertamos o caminho e chegamos mais rápido. Às vezes erramos e ficamos um bom tempo andando em círculos.
Podemos estar no caminho certo e vem aquela pedra que te atrapalha.
Pensamos em desistir, em tomar outro rumo, mas simplesmente podemos alterar a rota ou tirar a pedra.

Por mais que isso tudo pareça cliche, começa a fazer muito mais sentido quando você mergulha no contexto, e o ambiente à sua volta é favorável a isso.
Existem textos e mais textos, livros e mais livros, como esse pequeno refletor de minhas ideias. Mas isso não faz com que eles percam sua luz. Faz sentido para mim, mãs pode não fazer sentido para você. Depende do ponto da vida em que estamos.

Estou nesse ponto. Não quero mais deixar meu carro no ponto morto, na ladeira da vida para descer como a rua quiser, resultando em um acidente. Quero fazer a volta e subir mesmo com marcha lenta.
E aí, a pouco tempo atrás estaria um pouco mais preocupado com o que julgariam sobre essa analogia boba que fiz. Mas para mim, hoje, existem diversas formas de passar uma mensagem, mas o principal continua sendo a mensagem.

Faça um teste...

Escolha um lugar muito distante que você tem o sonho de visitar. Depois faça tudo que tem em suas mãos para poder chegar lá. Depois de chegar, volte e me responda: O que foi mais importante, o lugar ou a viagem?

Se a viagem é mais importante, é porque é com ela que você mais aprende.
Assim, ao invés de eu me ajoelhar adorando algo, primeiro eu vou descobrir esse algo dentro de mim.
A partir de hoje então viverei degrau por degrau. E todo o resto funcionará para bancar isso.

Não entendeu porque o título chama "Ouro de Tolo"?
Bom, procure então um velho barbudo que dizia isso.
Para não ficar confuso, o outro mais velho ainda também dizia isso.
Mas to falando do não tão antigo e músico.


Fui...

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